Mais do que sonhar, Rebeca Nunes mostrou para todos que nossos desejos podem ser reais. Aos 9 anos, ela é a nova bailarina do Teatro Bolshoi no Brasil. Apesar de sua trajetória estar apenas começando, essa garotinha já tem muita história para contar.  Ao lado de sua mãe, Maeli Nunes, as duas explicam como foi o início de todo esse processo.

Bailarina desde cedo

 “Desde que eu estava grávida, todo o dia o pai dela tocava violão a noite, e a Rebeca se mexia. Depois que ela nasceu, antes mesmo de completar 2 anos, ela pediu para ir ao balé. Entretanto, não era possível, pois ela ainda usava fraldas”, riu Maeli ao contar. Quando completou o segundo ano de vida, começou a frequentar aulas e permaneceu por um período de 3 meses. “Isso porque a professora pediu para ela se apresentar, mas eu não autorizei, devido à pouca idade que ela tinha. Conforme o tempo foi passando, minha filha insistiu no balé e, aos 6 anos, voltou a praticar.” Sendo uma bailarina nata, dançar sempre fez parte da vida de Rebeca. “Se fosse para guardar um lápis, ela iria dançando.” comenta a mãe.

Treinando no Estúdio Artistas S/A em Botucatu, voltado para dança, teatro, música e cinema, a menina logo ganhou a cena. “Quando a professora a viu, disse que ela era muito pequena, já que todas as meninas do grupo na época eram dois anos mais velhas. Por fim, Rebeca fez o teste e ficou na turma.” As aulas ocorriam todas as terças e quintas e duravam cerca de uma hora. Atualmente, Rebeca frequenta as aulas todos os dias da semana, por duas horas, além de ter agregado a dança Jazz ao seu repertório.

Dedicação fora do estúdio

Sendo muito dedicada, a garota procurava aprender ainda mais fora do estúdio.“Em casa ela sempre assistiu desenhos animados voltados para o balé, como Barbie Bailarina, entre outros. Ela sempre entrou na internet para saber mais sobre esse assunto, através de diferentes vídeos. Minha filha tinha um pouco de dificuldade na parte artística, ou seja, na expressão facial na hora de dançar. Entretanto, ela procurou aprender e se empenhou para isso, visto que é uma exigência.”

Conforme o balé ganhava cada vez mais espaço na rotina da dançarina, a vontade de entrar para o Bolshoi só cresceu dentro da pequena. Isso porque essa Escola de Teatro é uma extensão da versão estrangeira no Brasil, que oferece ensino gratuito e agrega excelentes professores.

O processo seletivo

Sabendo do desejo da menina, os pais foram atrás da inscrição, que foi realizada no início do ano. “Geralmente, os testes ocorrem em diferentes locais. Nós soubemos que havia em Mogi das Cruzes e fomos todos para lá, pois era algo que ela sempre quis”, destaca Maeli.

O processo seletivo foi baseado em quatro etapas muito complexas, sendo a primeira de pré-seleção, onde 2400 crianças competiam para apenas 20 vagas. “Me pediram para fazer alongamentos, passos como o de borboleta, abertura de quadril e barra”, comenta Rebeca. O segundo momento do processo, ocorreu em Joinville – Santa Catarina, e apenas 580 crianças permaneceram. Rebeca passou por avaliações médicas e exames físicos, que verificavam, inclusive, altura e a massa muscular. Posteriormente, houve provas de língua portuguesa e matemática. “As questões de matemática estavam fáceis, as de português, nem tanto”, comenta a bailarina. No terceiro momento, chamado de Artístico, 5 avaliadores, incluindo uma professora do próprio Bolshoi, estavam presentes para conferir cada movimento das dançarinas. Houve também teste musical para verificar o ritmo dos participantes. “Um professor batia palmas e nós tínhamos que repetir”, destaca Rebeca. Apenas 160 competidores passaram para o processo seletivo final.

“Na verdade, ficamos muito preocupados. Havia excelentes meninas, que treinavam com muita intensidade para se tornarem dançarinas. Ficamos apreensivas, mas às 22h de cada dia saia o resultado. Quando soubemos que ela iria para a etapa final, ficamos felizes.” Nesse nível da competição, 57 crianças permaneceram, e, desse total, apenas 20. As atividades envolviam alongamento, ponta e colo de pé.

Depois de toda essa jornada, o resultado saiu, e Rebeca ficou surpresa ao receber a notícia: “Eu achei que tinha chance, mas não que iria chegar até o final, porque são testes difíceis”, comenta a menina. “Estávamos numa pizzaria e choramos muito”, complementa a mãe.

Em janeiro, a família parte para Joinville para começar uma nova etapa. Animada, Rebeca oferece um conselho para as futuras bailarinas e dançarinas: “O importante é gostar daquilo que se faz, e treinar bastante”, finaliza.

Confira algumas fotos de Rebeca:

Escrito por: Maria Luísa Bergamasco

Jornalista. Acredita que através da informação e do conhecimento, famílias podem trocar experiências e expandir suas ideias. Adora ouvir histórias, comer petiscos e sentar em botecos.

Seja o primeiro a comentar esse post!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fechar