Os contos de fadas estão presentes em livros e filmes por diversas gerações. Desde os irmãos Grimm até então, muitas versões foram surgindo e conquistando o coração de adultos e crianças. Essas histórias nos levam para um mundo mágico, onde tudo é possível. Mas será esse o único fator para as meninas serem tão apaixonadas por contos de fadas? A psicóloga e consultora Letícia Gomes Gonçalves nos explica um pouco sobre esse cenário e também a respeito da importância do diálogo entre pais e filhos na construção do pensamento sobre essas narrativas.

1) Percebemos que as crianças, principalmente as meninas, gostam de pensar que são princesas, tanto que se vestem como determinadas personagens. Por que esse comportamento ocorre?

As crianças aprendem por imitação e são incentivadas a querer ser como seus personagens favoritos dos contos de fadas. Se elas assistem ou leem muito sobre princesas e príncipes, irão querer se parecer com cada um deles. Elas criam um vínculo afetivo com história de seus personagens favoritos e passam a querer fazer parte desse universo. Quem nunca cortou o cabelo como a mocinha da novela ou comprou as roupas que as famosas usam? Fazemos isso porque desejamos ser aceitos e amados por todos.

2) Muitas histórias de contos de fadas estão mudando o rumo. Percebemos que nem sempre o príncipe encantado salva a protagonista. Encontramos esse exemplo no filme Frozen, onde o amor das irmãs Anna e Elza são destaque. As questões sociais têm impacto direto sobre a mudança de rumo desses contos? Qual a importância dessa mudança nas histórias?

Sim, as histórias estão mudando porque a sociedade está mudando e isso é algo muito positivo. Como as crianças se espelham nessas histórias é importante que existam desenhos, filmes e livros representativos da realidade. Precisamos ensinar nossas crianças que a vida em sociedade apresenta inúmeros desafios e precisamos oferecer recursos para que elas estejam prontas para enfrentá-los.

Ensinar a falar sobre os sentimentos, a ter uma escuta empática e amorosa, ajuda-las a criar planos de ação para solucionar os problemas cotidianos. Estamos preocupados demais tentando ensinar a ler e escrever,  que esquecemos da inteligência emocional. Esse aspecto é essencial para a vida adulta e também deve ser ensinado. Histórias, desenhos e filmes são recursos maravilhosos para a criança aprender sobre a vida em sociedade.

3) Por que o diálogo entre pais e filhos têm impacto, inclusive, na hora de narrar os contos de fadas?

Toda história tem diferentes interpretações. Crianças, principalmente as muito pequenas, ainda não tem a capacidade de interpretar uma história. É papel dos pais, ao finalizar a leitura, tirar os ensinamentos principais, trazer exemplos da vida real e ajudar a criança a refletir sobre tudo que acabou de ouvir. Esse momento de vinculo e afeto é muito importante para o desenvolvimento afetivo-emocional da criança.

4) Como o final feliz impacta não apenas o desfecho da história, mas a visão das meninas em relação a um acontecimento?

Na vida real, a felicidade e tristeza se misturam. Quando a gente não faz essa reflexão, nossos filhos podem crescer esperando pelo momento de ser feliz para sempre. Só que esse momento nunca vai chegar. O feliz para sempre dos contos de fadas é legal para dizer que, depois de tanta dificuldade, houve um período de calmaria. É importante deixar a criança continuar a história também, perguntando para ela, por exemplo: “E depois que Cinderela casou-se com o príncipe, o que você acha que aconteceu? ” As crianças têm uma percepção muito boa, mas cabe ao pais explorar o “feliz para sempre” para ajudar os pequenos a continuar as histórias da sua própria maneira.

5) Qual a dica que você oferece para pais e mães que possuem filhas que são muito fãs de contos de fadas?

Conversem com suas filhas. Entendam porque gostam tanto desse tipo de história. Ajude-as a escrever suas próprias histórias. Brinquem juntas e apresentem a vida real de uma forma leve, bonita, que faça com que as crianças queiram viver na realidade, apesar de todos os desafios que vida apresenta. O diálogo é sempre o melhor caminho!

Letícia Gomes Gonçalves é Psicóloga formada pela Universidade Federal de São Carlos, consultora em disciplina positiva, criadora do blog Conversa entre Marias e realiza atendimentos online e presenciais.

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Escrito por: Maria Luísa Bergamasco

Jornalista. Acredita que através da informação e do conhecimento, famílias podem trocar experiências e expandir suas ideias. Adora ouvir histórias, comer petiscos e sentar em botecos.

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